6 páginas e a Economia do Ócio Feminino

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Consumismo

Olá pessoal!

Estou de volta, dessa vez com um vídeo ao invés de um texto. Foi a primeira vez que fiz um vídeo e deu tudo certo, com exceção do fato de que eu não sei editar, o som está muito baixo e o YouTube comeu o meu texto aos 7:32 minutos…

Espero fazer vídeos melhores no futuro…e espero que gostem!

Interrompemos@Programação

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Repostando o texto que abriu o blog, hoje com mais leitores. Enjoy🙂

Interrompemos@Programação

Olá leitor! Como foi o seu dia hoje? Acordou e já ligou a TV no telejornal favorito enquanto se arrumava? Folheou o jornal enquanto tomava o café? Ouviu as notícias no rádio a caminho do trabalho? Checou seu e-mail e redes sociais assim que chegou?

Parece exagero, mas milhões de pessoas no mundo todo fazem isso diariamente. Antes das 10hrs da manhã, já foram bombardeados com todos os tipos de crises, maravilhas, acidentes, promoções, desgraças e novidades disponíveis no mercado midiático. Na verdade, vou reformular a minha frase. Não apenas parece, mas É exagero. Já sei o que você está pensando, leitor: “Mas eu só dou uma olhada rápida”, “só checo as notícias principais” ou, a pior de todas, “assisto TV/leio o jornal para relaxar”. O resultado não poderia ser mais óbvio: STRESS.

O nosso cérebro está constantemente assimilando e processando informações, quase como uma secretária faz com a mesa…

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Um fim à guerra dos sexos

Olá, queridos leitores! Gostaria de agradecer a presença de vocês aqui no blog, mesmo com os posts inconstantes e imprevisíveis. Os estudos estão sugando cada gota do meu tempo e da minha disposição, mas farei o possível para mantê-lo, pois é muito importante poder comunicar as minhas idéias com um público interessante e interessado. Ontem mesmo cheguei da Itália, aonde fui visitar a minha mamãe que não via há um ano, e vim correndo para o computador para desenvolver as idéias que tive durante a viagem. Porém, depois de uma viagem longa e estressante, tudo o que eu não consegui fazer foi escrever. Acabei no Youtube, assistindo um vídeo de Stand-Up Comedy que um amigo me enviou, jurando que eu ia morrer de rir. No fim, assisti há uns 20 vídeos diferentes desta nova geração de comediantes brasileiros, que está fazendo um sucesso danado. Já no terceiro vídeo, me dei conta de que um dos grandes carros-chefe desta nova geração são as piadinhas sexistas. São as mais aplaudidas pela galera e, se fossem retiradas dos seus números, não sobraria muita risada.

Lembrando-me de conversas anteriores com amigos e lendo comentários postados nos vídeos, deparei-me com a constante afirmação de que as tais piadinhas são assim, tão engraçadas, porque representam a realidade. Aparentemente, todos nós nos identificamos com aquilo e não dá para não rir. Eu fiquei com aquilo na cabeça…será que é mesmo assim? Pois então nós mulheres somos todas gralhas estridentes cujos únicos objetivos são encontrar um marido rico e comprar sapatos novos. Os homens, meras amebas acéfalas que passam o dia todo assistindo futebol e arrotando cerveja, sempre com uma ereção.

Inocente eu, que achava que, em pleno 2012, conviveríamos em harmonia, aproveitando-nos de nossas mútuas capacidades e compreendendo a beleza e a perfeição da natureza, que assim nos fez. Ao invés disso, o jornalismo mistificador com as suas matérias “10 coisas que ele/ela pensam de você”, reforça a falsa idéia de que o sexo oposto é incompreensível. O que é mesmo incompreensível é como as pessoas ainda caem nessa. Já sabemos que a estrutura cerebral dos homens e das mulheres se desenvolveu de maneira diferente durante o processo evolutivo, como resultado da divisão de tarefas. Os homens possuem de 10 a 20 mil mais neurônios do que as mulheres, porém são formadas mais sinapses (conexões) entre os neurônios no cérebro feminino. Com relação aos hemisférios esquerdo e direito, há também algo interessante a ser observado: o homem possui maior habilidade de utilizar cada um separadamente, sendo capaz de realizar tarefas relacionadas a cada hemisfério de maneira mais eficiente (coisas como noção de tempo e espaço, concentração,senso de direção). Já as mulheres não usam cada hemisfério assim tão bem quanto os homens, porém conseguem comunicar ambos os hemisférios de maneira mais eficiente que o cérebro masculino, o que aumenta a nossa capacidade de comunicação, compreensão e interpretação de sentimentos, bem como a desenvoltura em situações sociais.

Chega de chamar os homens de canalhas e mentirosos. O cara te comeu e não ligou mais? Pois era só isso que ele queria. Se você acha que isso é suficiente para ser canalha, você está enganada. Ok, talvez não seja a coisa mais legal de se fazer, ele poderia ter sido mais sutil e pensando nos seus sentimentos, blábláblá. Podia. Mas a verdade é que os homens são movidos por uma força sexual ininterrupta que precisa ser liberada, e não dá pra ficar fazendo xororô com cada mina, simplesmente não dá tempo. Se ele fizer isso, não conseguirá liberar a sua energia sexual suficientemente, portanto, ele guarda os seus carinhos só para as merecedoras. O problema é que os pobres dos homens foram fadados com essa energia sem fim, que começa na puberdade e acaba quando eles morrem. Enquanto isso, nós mulheres temos apenas apetite sexual quando estamos férteis, ou seja, mais ou menos dos 15 aos 55, e apenas durante um período específico do mês. Se você está se perguntando se é daí que se origina a famosa infidelidade masculina, eu diria que é. O cara quer comer e a mina não quer dar, então ele procura outra.   

Falando na tal infidelidade, a questão que vem à cabeça de muitas mulheres quando descobrem a infidelidade de seu par é “Como ele pôde?”. Para nós, é difícil entender como o homem consegue simplesmente fazer uma coisa errada assim, na cara dura. O que venho observando em minha curta vida é que os homens possuem uma habilidade que nós mulheres não possuímos: conviver com o incorreto, com o ilegal. Nós não conseguimos fazer isso. Isso não quer dizer que não fazemos nada de errado, apenas que inventamos desculpas e mentimos para nós mesmas, para conseguirmos conviver com aquilo sem que a nossa própria consciência nos torture. Se um homem trai a mulher, ele fez porque deu vontade e esconde o quanto puder. Se a mulher trai o homem, ela diz que é porque ele aprontou semana passada, não tem a tratado direito ultimamente e às vezes até conta para o cara, pois assim se livra logo de qualquer resquício de culpa. No fim, ambos traíram. Outra coisa que me irrita é a constante pentelhância feminina com relação ao fato de que o namorado olhou para aquela gostosa que passou. Chega né, gente? Os homens são visuais, eles vêem algo bonito e olham, pronto. Não significa que ele te acha gorda, não te ama mais ou é infiel, significa apenas que ele achou a mulher bonita. Você se pergunta se ele não poderia ao menos disfarçar ou tentar não fazer isso na sua frente, e eu lhe respondo: ele já faz isso. Garanto-lhe que ele olha muito mais quando você não está por perto. Portanto, deixe-o em paz. Já fiz isso com um namorado e deu super certo.

Estou cansada de ser tratada como interesseira. Os homens nem percebem mais que tratam as mulheres assim, e as próprias mulheres nem mais se dão conta disto. Esta falácia de que a mulherada só sai com cara que tem carro já deu no saco. Isso não passa de uma má-interpretação das bravas, e precisa ser esclarecida antes que vire realidade. Pois sim, de tanto falarem que homem é canalha e mulher quer dinheiro, os mais influenciáveis acabam assumindo o papel que lhes foi dado, e a única esperança que sobra é que estas antas acabem juntas. No processo evolutivo, as nossas ancestrais buscavam homens que as trouxessem a caça e protegessem a sua caverna de qualquer perigo exterior. Isso escreveu em nosso código genético de que a busca por um parceiro está diretamente ligada ao grau de segurança que ele nos traz. Portanto, o que as mulheres (decentes) inconscientemente buscam em seus parceiros não é o dinheiro que eles têm, mas sim uma situação profissional segura, que irá garantir o sustento da sua família. E, não preciso nem dizer, aqueles que possuem uma carreira mais sólida são os mesmo que tem mais grana, carros, etc. É apenas uma coincidência. Para verificar isto, basta prestar atenção às famosas exceções, que estão por todos os lados. Você irá se deparar com muitas mulheres felizes com os seus parceiros que vivem duros, mas que são trabalhadores, o que nos traz a segurança de que ele irá nos proteger e assegurar o nosso bem-estar em uma possível crise. Continue olhando e irá encontrar também muitas que trocaram o namorado playboy, que não fazia porra nenhum a não ser sugar a grana do papai (que não era pouca, por sinal) por um homem com menos grana, mas que estuda ou trabalha seriamente.

Sim, nós falamos muito. E alto. A área da fala na mulher é claramente mais desenvolvida do que a do homem, e isto já pode ser observado em bebês. Além do mais, fomos presenteadas com a capacidade de argumentar, o que nos faz ganhar qualquer discussão, até quando estamos erradas. Porém, imagine só se estes seres falantes e argumentadores não existissem, o que seria da humanidade? Para entendermos como seria um mundo aonde as habilidades masculinas fossem mais importantes, basta olharmos para trás. Guerras e conflitos. Veja bem, eu não estou aqui para chamar os homens de brutamontes sanguinolentos. Porém, os homens se desenvolveram fisicamente para serem máquinas mortais, possuem maior agressividade, mais força física e menos empatia. Sem estas habilidades, os homens não poderiam ter sido os habilidosos caçadores que eram e nós provavelmente não existiríamos hoje.

Em minha opinião, e, por favor, seja cuidadoso ao tomar isto como verdade, eu considero esta a origem do machismo e da subjugação da mulher. Quando a escassez de alimentos e o territorialismo eram fatores determinantes, as habilidades masculinas eram mesmo mais importantes do que as femininas. Se não havia comida para todos, a compaixão feminina de dividir o seu alimento com todas as aldeias teria nos levado à extinção. Portanto, acho natural que as mulheres, nesta época, tenham sido consideradas incompetentes e reduzidas aos seus papéis primários de reprodução e criação dos filhos, e sendo colocada a serviço dos gloriosos homens, salvadores da pátria. Em nossa geração atual, aonde a argumentação e a intuição tem um importante papel na sociedade, caminhamos lentamente para um universo mais feminino. Eu considerarei ideal a sociedade que saberá utilizar as capacidades de ambos os sexos de maneira equilibrada e funcional, já que um não é melhor do que o outro.

Lembro-me uma vez de ter assistido um documentário sobre o sexo dos cérebros e um dos entrevistados apresentou uma analogia interessantíssima: imaginem um quarto escuro, totalmente escuro. O cérebro masculino, ao entrar no quarto, cria um foco de luz intensa e ilumina um ponto à sua frente com clareza, e o restante do quarto permanece escuro. Sempre quando ele precisa ir a algum lugar ou pegar alguma coisa, basta focar a luz naquele ponto. O cérebro feminino entra no quarto e uma luz fraquinha ilumina o quarto todo, deixando-o numa suave penumbra. Ela não consegue ver nada com tanta clareza e exatidão como o cérebro masculino, porém, consegue ver tudo ao mesmo tempo e possui uma idéia mais ampla do que há no quarto.

É claro que as coisas não são sempre como as descrevi acima. Somos regidos por muitas mais coisas do que o instinto, tais como a moral, a ética e os valores culturais. Lentamente alteramos os nossos cérebros para se adaptar à nossa vida atual, aonde faz todo o sentido que uma senhora de idade queira ter uma vida sexual ativa, que um homem seja sensível e que uma mulher que trabalha não se interesse pelo o que o homem tem a oferecer. Porém, a nossa herança genética demorou milhares de anos para se formar e não irá embora assim, tão de repente. Ainda bem. Honestamente, não consigo imaginar um time mais completo e bem-sucedido do que um homem e uma mulher quando se juntam. As nossas habilidades se complementam e nos tornam invencíveis contra qualquer mal, pois não há problema que um time destes não consiga resolver. Está mais do que na hora de deixarmos de sermos inimigos para sermos aliados.

E eu, quanta arrogância, achando que posso por um fim a guerra dos sexos ao postar um texto neste humilde blog. Mas com a sua ajuda, podemos divulgá-lo ao nosso círculo de amigos e, quem sabe, ao menos não precisar mais escutar as tais piadinhas…

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Um encontro entre a Psicologia e a Psicodelia

Mais um texto escrito para a Revista Pittacos. Quem gosta de assuntos polêmicos não pode deixar de conferir😉

http://revistapittacos.org/2012/03/26/psicologia-ou-psicodelia/

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As palavras mais mal-interpretadas do século

Ok, talvez eu tenha exagerado um pouquinho no título…até porque, aqui só poderei citar algumas delas. Mas quem é que não se cansa com tanta interpretação mal feita por aí?

Na era da comunicação, as informações são trocadas na velocidade da luz, e o efeito-telefone-sem-fio acaba fazendo com que certas palavras, geralmente utilizadas para demonstrar engajamento político e social, tenham o seu significado deturpado. A interpretação é um importante meio para a compreensão do mundo e nos é ensinada na escola, naquela aula de literatura a que ninguém presta atenção. Se você já se encontrou confuso perante alguma discussão internética do tipo PT x PSDB, talvez já tenha sido vítima da malvada má-interpretação. Cada um fala uma coisa e não se entendem, parecem falar línguas diferentes, discordam-se em tudo e o assunto acaba terminando com ambas as partes convencidas de que a outra é tão ignorante que nem dá para conversar.

O que é que faz com que as pessoas não se entendam com tanta frequência? Muitos responderiam que o motivo para as constantes falhas na troca de informações é a falta de educação, mas eu rejeito este argumento. Os colegas “estudados” caem nessa mesma armadilha e se envolvem em discussões sem fim e sem sentido, recheadas de preconceito e chauvinismo, e acabam por tirarem conclusões mais mistificadoras do que esclarecedoras. Já em minha humilde opinião, as frequentes falhas de comunicação entre as partes provêm de uma carência aguda na mente do brasileiro: o pensamento científico.

Qualquer um que fez faculdade de qualquer coisa estudou “Metodologia da Pesquisa Científica” ou alguma matéria parecida, mas poucos sabem do que se trata. A carência da compreensão do método científico, que é em minha opinião a matéria mais importante de todas, é o que nos torna menos qualificados e o que faz com que os nossos diplomas sejam mal-vistos no primeiro mundo (não que todas as nossas universidades sejam ruins e todas as do primeiro mundo sejam boas). Como é possível dar andamento aos estudos sem compreender COMO devemos pensar? A Metodologia Científica vem para empurrar o senso-comum para o canto e substituí-lo por considerações analíticas, sem as quais nenhuma ciência é possível. Nos cursos da área de Humanas, damos menos importância a essa metodologia, e é daí (também) que se originam tantas falhas na comunicação. Para aqueles que não querem mais cometer tais erros, deixarei aqui a fórmula mágica para a comunicação perfeita:

DEFINIÇÃO => INTERPRETAÇÃO

Primeiro defina uma palavra ou termo, e só depois o interprete. Interpretar sem antes definir é correr o grande risco de falar besteira. A maioria de nós interpreta uma mensagem de acordo com as nossas próprias experiências, portanto, se eu estiver contando uma história sobre uma tribo indígena para três pessoas diferentes, haverá três interpretações diferentes da mesma história. Uma imaginará um grupo de caçadores e canibais primitivos, a outra uma sociedade cultural desenvolvida e a outra um grupo de pessoas em constante perigo, sob a ameaça de animais selvagens, condições climáticas extremas e o assustador homem branco. Ninguém está errado. A partir daí, começam discussões sem sentido, aonde cada um defende a sua tese e ninguém se entende. Porém, se começarmos com a definição exata da palavra TRIBO, tudo fica mais fácil. Aqui citarei algumas das palavras que são frequentemente alvos da falta de uma definição concreta, e que geram muita confusão:

DEMOCRACIA: Quando se trata do nosso sistema político, a bagunça não poderia ser maior. Cada um tem uma diferente idéia do que é a tal Democracia e o que ela representa para nós. Porém, quase todos a associam com a Liberdade. Quando há injustiça e opressão, muitos levantam a bandeira da Democracia para clamar pelo nosso direito à Liberdade e isso me irrita. Claro que o sistema democrático nos assegura algumas liberdades que não são asseguradas por outros sistemas, ok. Porém, não podemos nos esquecer de que, na prática, não somos nada livres. Não temos o direito de usar drogas, não somos permitidos a andar por aí sem roupa, não podemos dar os ombros para o estado e não sermos contribuintes, mesmo ao alegarmos que somos contra o sistema. O Estado não quer saber se estamos satisfeitos ou não com o que é feito com o dinheiro dos nossos impostos, somos forçados a pagá-los mesmo assim. Quando não cumprimos com as suas ordens, o Estado utiliza-se de coerção, da imposição de penalidades físicas e emocionais, podendo, inclusive, tirar liberdades que a própria democracia nos garante, como o direito de ir e vir. Se há uma palavra-chave que represente a Democracia, esta não é a Liberdade, mas sim a Igualdade (se é isto que ocorre na prática…já é outra história).

ANARQUIA: Ainda na linha de pensamento da política, encontramos uma palavra que, de tão deturpada, a pobre-coitada já teve o seu sentido alterado pelo inconsciente coletivo. A Anarquia costuma ser associada à bagunça, à falta de ordem, e a sua imagem representada por uma grande orgia de corpos nus e embriagados, engordurados pelo banquete real, regada à incesto, violência e caos. Mas no fundo, a Anarquia é apenas a negação de todas as formas de Estado, pois o considera opressor e violento. A Anarquia parte do princípio de que, com uma boa educação moral e ética, não precisamos de um Estado que nos diga o que fazer. Parece um absurdo imaginar um Brasil que, da noite para o dia, não tem mais Estado. Eu mesma, como anarquista, considero isso um absurdo. A Anarquia é um conceito extremamente progressivo, que substitui as ordens superiores pelo uso do bom-senso, o que obviamente não é possível sem uma educação de primeiríssima qualidade. Apesar de soar inatingível, conceitos anárquicos existem e funcionam perfeitamente bem em países escandinavos, aonde, por exemplo, a compra dos bilhetes de transporte público não é controlada. Não há catraca ou sensor, basta entrar no ônibus. Muito raramente irá aparecer um controlador disfarçado e pedirá o seu bilhete de surpresa, lhe aplicando uma multa caso não o tenha (aqui acaba a anarquia). Porém, quando o controlador aparece, quase todas as pessoas têm bilhetes, sendo as exceções raríssimas e quase sempre estrangeiros, que ainda não tem a mesma linha de pensamento da população local. Para eles é simples: a empresa lhes fornece um serviço e eles pagam por ele. Se você os questiona se não sai mais barato nunca comprar um bilhete e pagar a multa de vez em quando, eles dizem que sim, mas que se eles não pagarem, o serviço não terá mais a boa qualidade que tem ou talvez nem exista mais. A idéia é: “Quero usar, devo pagar”. A Anarquia, quando aplicada no dia-a-dia, nos transforma de seres obedientes a seres pensantes. Uma boa analogia para diferenciar a Democracia e a Anarquia é um ônibus lotado: no ônibus, existem assentos preferenciais, que são reservados a pessoas com necessidades especiais e o seu número é calculado de acordo com proporção e probabilidade. Num sistema democrático, se um ônibus com 50 lugares tem 6 assentos especiais e 8 idosos, 2 ficarão de pé, pois a sua quota foi preenchida. Só o fato de que assentos especiais existem já é um limitante intelectual. Para que assentos especiais? Um anarquista cederá o seu lugar a uma pessoa que precise mais, independente daquele assento ser especial ou não, ou de quantas pessoas com necessidades especiais há naquele ônibus. É uma questão de bom-senso (se todos os anarquistas tem bom-senso, aí já começa uma outra discussão). O mesmo conceito, se fosse aplicado a todas as áreas da sociedade, eliminaria a necessidade de um Estado. Pelo fato de que as pessoas são tão diferentes e também tem acesso a diferentes níveis de educação é que a Anarquia se torna um conceito utópico.

AGNOSTICISMO: Taí. Essa eu nunca vi ser usada corretamente. Quando alguém me diz que é agnóstico, eu imediatamente questiono esta pessoa, pois tenho certeza de que ela não sabe o que está falando. Não me levem a mal, isto não é uma questão de arrogância. Mas acontece que quase ninguém sabe o que essa palavra significa e eu não entendo porque a mencionam tanto. Geralmente se auto-intitulam agnósticos aqueles que se livraram dos dogmas da Igreja, mas que ainda mantém uma crença em Deus. Há também aqueles que se dizem agnósticos por acreditarem em Deus, mas por não saberem defini-lo. As definições vão longe. Contudo, qualquer pessoa pode ser agnóstica, independente da sua crença ou não em Deus. A própria etimologia da palavra já explica o seu significado. Gnose é a palavra grega para “Conhecimento”, e o prefixo a é uma negação (ex.: atípico – uma coisa que não é típica). Portanto, a Agnose é a falta de conhecimento. Os agnósticos afirmam que uma discussão sobre a existência ou não de Deus é inútil, já que ninguém poderá provar se ele existe ou não. O agnóstico assume uma posição de constante dúvida, mas isso não os impedem de serem crentes ou ateus. Um crente agnóstico é aquele que crê, mas que não tem certeza se a sua crença tem fundamento. O ateu agnóstico é aquele que não crê, mas que sabe que pode estar errado, apesar de ser impossível provar que sim ou que não. A Agnose não é uma religião, mas sim uma posição que certas pessoas assumem para em uma discussão sobre a existência ou não de um ser divino. Portanto, se alguém lhe perguntar qual a sua religião, não diga que é agnóstico, pois a sua resposta estará errada. Se você não sabe em que acredita, diga que não tem religião e que possui uma visão agnóstica sob este tema.

Eu poderia escrever horas sobre este tema, mas não quero cansá-los. Creio que estes três exemplos tenham dado uma boa idéia sobre o que quis dizer com as problemáticas da definição e interpretação, mas se quiserem sugerir outras palavras, fiquem à vontade para enviarem-me as suas idéias. Mentes pensantes são sempre bem-vindas!

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A filosofia por trás da Propriedade Intelectual

Há algumas semanas atrás, estive em um protesto contra a assinatura do ACTA aqui em Munich, o qual foi bem-sucedido, já que o mesmo acabou não tendo sido assinado pelo governo alemão (aqui eu meu pergunto se os protestos espalhados pelo país é que foram decisivos, ou não). O fato de que um acordo como esse sequer existe me deixou muito assustada, e senti que deveria fazer algo. Eu, basicamente, considero a existência e a proteção de Propriedades Intelectuais justa, já que, se um pintor tem direitos sobre o seu quadro, um escritor, músico ou cineasta também deveria ter direitos sobre a sua obra. E se não tem, isso sugeriria que não somos donos dos nossos próprios pensamentos, mas somente daquilo que eles podem gerar, e desde que sejam tocáveis.

É essa a linha de pensamento me incomoda, pois é baseada nela que as Ciências Humanas tiveram a sua importância drasticamente reduzida. Um dos mais claros exemplos que posso citar é o caso dos professores, que praticam uma profissão de valor incalculável para a nossa sociedade, mas que recebem para isso um salário vergonhoso. Qual a função daqueles que se ocupam com as Humanidades? Pois nas outras áreas de atuação, é fácil saber. Aqueles que  estudam na área das Ciências Biológicas precisam conhecer o funcionamento do corpo humano, dos animais, células, seres vivos, etc. Os que se ocupam com profissões técnicas, aprendem o funcionamento e encaixe de peças, sistemas elétricos, entre outros. Na área das Exatas, os cálculos e experimentos buscam resultados lógicos e conclusivos. São ciências empíricas e tocáveis, deixando pouco espaço para dúvidas. E nós, o que fazemos? Nós pensamos, analisamos, definimos, interpretamos e criticamos. Nós buscamos a solução para problemáticas profundas e subjetivas e nos dedicamos à eterna busca do bem-estar da sociedade, tanto sob um parâmetro social quanto pessoal, quando nos envolvemos com temas complexos como o subconsciente e a arte. É através do exercício do pensamento crítico que o cientista de Humanidades se torna este ser flexível, que estuda uma coisa e acaba trabalhando em outra totalmente diferente. E passa fome.

Como podemos ver, existe uma correlação entre as Ciências Humanas e a Propriedade Intelectual, pois ambas questionam o quanto vale uma idéia. Eu, pessoalmente, creio que uma idéia tenha mais valor do que um objeto, já que dessa idéia vários objetos podem ser gerados. Porém, o valor do pensamento em nossa sociedade é baixíssimo. É daí que surge o questionamento do valor de obras de arte, como fotografias, músicas, filmes e livros, que são passados e repassados sem que haja nenhum interesse no idealizador daquela obra, coisa que considero um crime. Ao mesmo tempo, também tenho os meus próprios questionamentos quanto a este tema.

Mas agora, voltemos ao ACTA. Neste caso, sou bastante enfática: a Propriedade Intelectual que se foda. Se para protegê-la temos que minar um dos últimos refúgios do cidadão moderno, há algo de muito errado aí. Dá arrepios imaginar uma sociedade em que todos os membros estão sendo assim, tão rigorosamente vigiados. Controlar o que vemos na internet é o equivalente a instalar uma câmera em nossos chuveiros. Lá na rede é que damos vazão aos nossos hábitos, gostos, preconceitos e superstições mais bizarros, e se formos privados também disso, o que será de nós? A liberdade de pensamento é um dos cernes da nossa cultura ocidental, e para verificar isto, basta olharmos para os tempos que antecederam  o Iluminismo.

É inevitável citar o clichê de George Orwell, que teve sucesso em colocar em palavras e com precisão alguns dos nossos piores pesadelos. Para fazer uma analogia ao tema, utilizarei um exemplo meio ultrapassado: quando o Tiririca foi eleito, lembro-me que muitas pessoas pleiteavam a sua retirada por o julgarem incompetente, dada a sua experiência anterior como palhaço. Apesar das pontadas no estômago que me afligiram ao receber a notícia de sua eleição (e o mesmo ocorreu com Romário, Clodovil, Frank Aguiar…enfim, todos os membros do partido PPSG – Partido da Piada Sem Graça) fiquei apavorada com a sequer consideração de sua retirada. Enquanto você se pergunta por que, eu lhe respondo: por mais absurda que seja, ele foi eleito de maneira democrática. Não concordo e até me envergonho, mas vivemos em uma sociedade democrática, aonde o poder parte do povo, e o povo o escolheu. Retirá-lo seria um atentado contra a Democracia, e isso eu não vou deixar. Afinal, se podem burlar a Democracia com ele, o que impedem de fazerem o mesmo comigo? Se for obrigada a escolher entre arrancarem o meu pé ou a minha cabeça, eu escolho o pé.

Por isso, insisto: compreendo e até concordo com a Propriedade Intelectual. Mas, se para a defendermos, devemos todos perder a nossa liberdade…aí, caros leitores, eles foram longe demais. É preciso encontrar uma nova maneira de fazer isto, sem que seja necessário ferir os preceitos básicos que regem a nossa vida. Por isso estou aqui, para alertá-los de que tais projetos podem eventualmente pintar na terra aonde canta o Sabiá, e se isso acontecer, temos que estar prontos para a luta, sob pena de acabarmos nos livros de história dos nossos bisnetos. E não por uma boa causa.

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