Psicopata…você pode ser um

O título é um pouco assustador, mas não deixa de ser realista. Aproximadamente 1 em cada 100 pessoas é psicopata, e você provavelmente conheceu, conhece ou é um. Sou fascinada por este tema e venho colhendo informações há anos. Hoje gostaria de dividir com vocês um pouco do que eu aprendi e, quem sabe, ajudá-los a reconhecerem e saberem como lidar com o tão temido psicopata.

Antes de tudo, é preciso esclarecer três pontos que costumam gerar confusão:

1)      Psicopatas não são “loucos”. Costumamos definir como loucas pessoas que confundem o real com o imaginário. Um exemplo típico são os psicóticos (reparem como os nomes são semelhantes), que acreditam que estão sendo seguidos, vêem coisas que não existem, entre outros sintomas. O psicopata é absolutamente racional, mais do que pessoas normais, e sabe diferenciar o certo do errado;

2)      Psicopatas nascem psicopatas. A psicopatia é um distúrbio cerebral, caracterizado por uma porção de disfunções no córtex pré-frontal e hipotálamo, sobre os quais eu não me aventurarei a explicar, por pura e simples falta de conhecimento científico. Abusos na infância podem desencadear um comportamento violento, e com certeza, são agravantes. Mas não são suficientes. Uma prova disso é que países pobres, aonde há maior incidência de crianças com infâncias absurdamente conturbadas e traumáticas, não tem maior incidência de psicopatia do que países de primeiro mundo. É importante que saibam que não se pode “fazer” um psicopata. Ele nasce assim, e por enquanto, ainda não foi descoberta uma cura, ou sequer um tratamento eficaz para o distúrbio;

3)      Todo serial-killer é psicopata, mas nem todo psicopata é um serial-killer. É importante compreender que os psicopatas estão infiltrados em todos os setores da sociedade, e o mal que eles fazem não se limita a crimes hediondos. Na verdade, muitas vezes, nem sequer cometem crimes (o que não quer dizer que não causam mal algum).

 A psicopatia, por algum motivo até agora desconhecido, ocorre com mais freqüência em homens. A proporção média de mulheres psicopatas é de 1 em cada 3. Esse dado é, na verdade, baseado no número de pessoas que são diagnosticadas com o distúrbio. Porém, alguns especialistas afirmam que este dado pode não ser real, já que a psicopatia é mais difícil de ser identificada nas mulheres, que possuem maior capacidade de manipulação e tem comportamento menos violento, envolvendo-se em práticas criminosas menores, pequenos golpes ou até mesmo sobrevivendo apenas da tortura alheia.

Mas enfim, o que é um psicopata? Bom, as definições podem ser muitas, mas o traço mais marcante da doença é a falta de empatia. Para os que não sabem, a empatia é a capacidade de sentir o que uma outra pessoa está sentindo. Uma pessoa normal poderá sentir angústia ou até mesmo dor ao ver uma pessoa se machucar, ou chorar quando vê uma criança de rua, por exemplo. Devido à falta de empatia do psicopata, ele não sente absolutamente nada, a não ser que aconteça diretamente com ele. Diversos estudos científicos foram feitos com pessoas normais e psicopatas, quando lhes são apresentadas imagens impactantes, tanto positivas quanto negativas, enquanto suas atividades cerebrais eram monitoradas. Os resultados são claros: a área do cérebro relacionada aos sentimentos tem atividade muito mais baixa do que o normal em psicopatas. Este estudo vem sendo constantemente repetido, adaptado e atualizado em laboratórios por todo mundo, e a conclusão é sempre a mesma.

Outro traço marcante do psicopata é o narcisismo. O narcisismo, ao contrário do que muitos pensam, não é apenas uma característica de personalidade, mas também um distúrbio. Costumamos chamar de narcisistas as pessoas que falam muito bem de si mesmas e exigem ser o centro das atenções, mas o narcisismo é muito mais complexo do que isto. O narcisismo é extremamente difícil de ser diagnosticado, já que os narcisistas não acham que tem um distúrbio e raramente se submeterão à análise psiquiátrica para este fim. Todo psicopata é narcisista (mas nem todo narcisista é psicopata…).

Como dito anteriormente, o psicopatas podem estar em qualquer lugar, mas existem alguns ambientes em que se pode encontrá-los mais frequentemente. Um deles é no Business. O ambiente competitivo empresarial é um prato cheio para um psicopata, pela vulnerabilidade de suas vítimas e pela possibilidade de ascensão ao poder. É tão comum encontrá-los no ambiente de trabalho que, ao ler este texto, é possível que você se recorde de um caso semelhante.

Nas entrevistas, o psicopata parece ser o candidato dos sonhos. Currículo impecável, charme irresistível, uma resposta inteligente para tudo. Logo que inicia no novo emprego, já se destaca em meio aos seus colegas, que passam imediatamente a admirá-lo. O psicopata aproveita-se disso e demonstra-se acolhedor e íntimo, fazendo com que seus colegas sintam-se à vontade perto dele, se abram e demonstrem as suas fraquezas. E é isso mesmo que ele quer. Assim que surgir uma oportunidade, o psicopata utilizará o seu conhecimento sobre os seus colegas para conseguir ocupar os seus cargos, transferir a eles a culpa sobre erros que ele mesmo cometeu ou até torturá-los psicologicamente para conseguir informações confidenciais (o famoso bullying). Caso haja qualquer desconfiança de que estejam fazendo algo de errado, se farão de vítima, num jogo de manipulação tão pesado que chegará a fazer as pessoas sentirem pena dele, ou até vergonha por terem lhe acusado de qualquer coisa.

A mentira é presença constante na vida do psicopata. Ele mente para tudo, até quando não há necessidade, pois diverte-se com a sua própria capacidade em fazer com que os outros acreditem nele. Ele sabe muito bem que deve esconder a sua falta de empatia para não ser desmascarado, portanto, está constantemente fingindo sentimentos que não tem. O psicopata é tão racional que consegue adaptar o seu discurso, de acordo com a reação da parte contrária, para que obtenha o melhor aproveitamento possível em seu jogo maligno de manipulação. Tome cuidado quando uma pessoa lhe contar a mesma história várias vezes, mas cada vez com algumas pequenas diferenças. Como os psicopatas não sentem culpa nem remorso, não se apegam aos detalhes de sua mentira e poderão cometer gafes ao tentar repeti-la. E é nesta hora, antes de serem descobertos, que devem dar o fora. Por este motivo, estão constantemente mudando de emprego ou parceiro.

Os psicopatas necessitam alimentar o seu ego constantemente. O ambiente empresarial é tão propício, pois dá abertura para pessoas com estas características subirem ao poder. É superficial e não se importa com o reflexo de suas ações sob os outros. Uma vez que uma pessoa está hierarquicamente abaixo do psicopata, não representando nenhuma ameaça e não tendo qualquer benefício a lhe oferecer, esta, se tiver sorte, será imediatamente tratada com absoluto descaso. Caso não tenha sorte, será maltratada e torturada psicologicamente, sendo usada como objeto de diversão e afirmação de poder. Ele sugará todas as suas forças e se alimentará delas. Um legítimo vampiro. Diminuir as pessoas é importante para que ele mesmo se pareça maior.

Uma dica importante: quando suspeitar estar na presença de um psicopata, procure não demonstrar muitos sentimentos. Por sinal, quanto menos falar, melhor. Cada palavra ou expressão facial pode ser interpretada pelo psicopata com precisão, e você, por não ser psicopata, não saberá controlar as suas emoções, que são parte intrínseca da sua personalidade. O famoso serial-killer americano Ted Bundy disse, após ter sido preso, que costumava escolher a sua vítima pelo modo que ela andava. Através apenas desta característica, que consideramos tão banal, ele conseguia identificar quais pessoas poderiam ser mais vulneráveis aos seus ataques, facilitando assim o seu trabalho.

Agora eu lhes pergunto: se esta é uma condição física, se os psicopatas nasceram assim, possuem um defeito cerebral que foge de seu controle, até que ponto eles devem ser considerados responsáveis pelos seus atos? Nós já aprendemos que eles têm consciência de estarem cometendo um erro ou um crime, mas também sabemos que eles não possuem os mesmos mecanismos de julgamento e tomada de decisões que nós possuímos. Eu já assisti diversas entrevistas com psicopatas que estavam presos, e muitos deles afirmaram que não devem ser soltos, pois acreditam que voltarão a cometer crimes. Outros tiveram um discurso tão sensível e profundo que, por um momento, me fizeram acreditar que estavam mesmo reabilitados. E quanto aos que não cometeram nenhum crime, mas que causam enorme impacto na sociedade através de seus abusos? O que fazer com eles? Não podem ser presos, pois não infringiram a lei. Mas soltos destroem relações, criam famílias problemáticas, e até destroem vidas. É uma pergunta sem resposta.

Mas não vá achar que todo mundo que dá uma escorregada pode ser psicopata. Eu mesma já cheguei a pensar que poderia ter o distúrbio, já que possuo uma capacidade quase sobre-humana para manipulação, além de um ego maior que o mundo. Mas depois de muito ler sobre o tema, senti-me aliviada. Não bastaria ser manipuladora, para ser uma psicopata eu precisaria utilizar-me desta característica para abusar de outras pessoas, coisa que eu não faço (não de maneira consciente, pelo menos). Além do mais, eu precisaria possuir muito mais características típicas, uma ou duas não são suficientes. Caso contrário, seríamos todos psicopatas. Você também.

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