É verdade, eu vi na internet!

Olá leitores!

Primeiramente, gostaria de desejar-lhes um feliz 2012. Tenho para este ano uma porção de idéias para este blog, e a visita de vocês é muito importante para mim. O blog é bastante novo e, logo de cara, me impressionei com a quantidade de acessos e com a opinião de diversas pessoas que leram os textos. No início, senti-me desmotivada pelo tamanho dos textos, imaginava que poucos teriam interesse ou paciência para lê-los por completo, mas felizmente, me enganei. Obrigada a todos!

Agora, vamos ao que interessa. Começarei o ano tratando de um fenômeno que venho observando há um tempo: a “intelectualidade virtual”. É notório que o nível de conhecimentos gerais do cidadão comum é hoje muito maior do que costumava ser antes da internet, e isso se deve à facilidade com a qual obtemos qualquer tipo de informação. Essa facilidade é positiva por muitos motivos, mas também apresenta alguns aspectos negativos. Um deles é o fato de que, com o excesso de informação, muitos sabem pouco sobre muito, e poucos sabem muito sobre pouco. A queda no interesse de aprofundamento das pessoas ainda não gerou grandes consequências para nós, até porque, o fenômeno é bastante novo. Mas, além de stress, que tipo de problema isso nos causará no futuro?

Pessoas que nunca leram um livro podem hoje conversar sobre engenharia, anatomia e a divisão do átomo, tornando o termo “comprovado cientificamente” um dos mais banalizados dos últimos tempos. Apreciadores do método científico sentem uma fisgada no estômago a cada vez que ecoa o tal “comprovado cientificamente”. A sagrada discussão na mesa do bar, que já foi berço de tantas teorias e descobertas revolucionárias, hoje costuma não passar de uma repetição de informações obtidas, que não necessariamente estão corretas, reservando pouco ou quase nenhum espaço para pessoas que realmente sabem do que estão falando (até porque, esta espécie está em extinção). Os colegas não se dão conta e acabam “aprendendo” uns com os outros, e a informação errada espalha-se no ar como um vírus, infectando pelo caminho os mais suscetíveis.

Outra nova onda é a de defender causas ou fazer críticas abertas a tudo que se pode imaginar. Os militantes facebookianos querem mudar o mundo e fazer uma diferença direto de suas poltronas confortáveis. Apelos pelo bem-estar dos animais, divulgação de ONGs, imagens com a cara de um político e uma frase em vermelho, negrito e fonte 18 dizendo quanto ele gastou num helicóptero e frases de apelo de toda natureza representam hoje aproximadamente uma em cada três publicações da minha rede de amigos. Parece-me que as pessoas finalmente encontraram uma maneira de justificarem a quantidade de horas perdidas na internet. Muitas pessoas dizem não terem interesse algum pelo Facebook, contam histórias do quanto resistiram para fazerem seus perfis, e que só cederam para agradar família e amigos. Essas pessoas sentem-se melhores com a sua escolha quando postam vídeos contra a construção da Usina Belo Monte, alertas sobre o aquecimento global, entre outros temas da moda.

Todos nós sabemos que apenas falar não adianta. Para conseguir adeptos para a sua causa e assim inflar o seu ego de bem-feitor, é preciso munir-se de bons argumentos, anexar alguns gráficos, encontrar algumas celebridades globais que apóiem a causa, colocar um pouco de sal, cozinhar por meia hora e está pronto o caldo. Agora os seus amigos te acham super engajado e respondem com todos os tipos de frase de apoio, ou até alguns comentários com detalhes dos quais você se “esqueceu”. Afinal, eles também querem sair bem na fita. O problema é que, seja o que for que você apóia ou acredita, sempre encontrará pessoas, argumentos e até páginas da web que corroboram a sua opinião. Como já exposto no meu primeiro post, selecionar informações de qualidade em meio a essa overdose a que somos diariamente submetidos, é tarefa para super-herói. Para demonstrar o quanto é fácil encontrar argumentos para apoiar qualquer teoria, selecionei 5 temas e busquei páginas na internet que apóiam idéias contrárias dentro de cada um deles:

1) Indígenas no Brasil:

2) Astrologia:

3) Comer carne:

4) O Presidente da República responsável pelo atual crescimento econômico no Brasil:

5) Maconha:

A pesquisa destes links durou apenas 12 minutos. Fó fácil, rápido e indolor*. Bastou digitar no Google o que eu queria, eliminar os menos importantes, selecionar o que mais se direcionavam para o que eu buscava, e voilá.

E você, no que você acredita?

*Por incrível que pareça, a coisa mais difícil de encontrar foi uma matéria completamente negativa sobre maconha.

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