Síndrome de Amélie Poulain

Neste filme de temática criativa e personagem principal nada óbvio, a atriz Audrey Tatou faz uma atuação ímpar e repleta de subjetividade. A personagem é monossilábica e introvertida, mas ainda assim, consegue levar o espectador a uma viagem pelo seu mundo, através  das suas expressões faciais e olhares penetrantes. Sou totalmente vidrada nesse filme, que apesar da fama de chick-flick, agrada a públicos variados e também é alvo constante de críticas, como toda boa obra. Mas não estou aqui para fazer uma análise crítica do roteiro ou coisa parecida, e sim, para analisar o fenômeno da identificação com a protagonista, ou melhor dizendo: A Síndrome de Amélie Poulain.

Que atire a primeira pedra aquele que nunca se sentiu como a nostálgica Amélie. Seja pelo seu isolamento na infância, pela falta de amigos, a ausência da mãe, a dificuldade de se envolver com pessoas, o estilo de vida simplório, a dificuldade para se comunicar, os hábitos estranhos, a observação das pequenas coisas, o fato de ser incompreendida, o senso de justiça, a mente engenhosa, o estilo “bonequinha”, a frieza do pai, a busca pelo sentido da vida…arrisco dizer que cerca de 98% da população mundial encontrará ao menos uma caracterísctica com a qual irá se identificar nesta complexa personagem.

Dividimos com ela a sua solidão, quando ela prepara o seu jantar ou enquanto reflete sobre a vida em sua cama milimetricamente arrumada. Sentimos pena do pobre funcionário da barraca de frutas quando ele é humilhado pelo seu chefe. Sentimos um prazer quase físico quando a Amélie entra na casa do tal chefe e faz com que ele pense que está louco. Sentimo-nos plenos quando ela faz com que a funcionária do Deux Moulain e o seu frequentador problemático se apaixonem e parem de infernizar todos a sua volta. E sentimos angústia, quando nos damos conta de que ela resolve os problemas de todos, menos os seus próprios.

A nossa mania de nos fazermos de coitados e acharmos que somos bonzinhos faz com que transformemos a pequenina francesinha em nosso alter-ego preferido (digo preferido pois creio que tenhamos diversos alter-egos). As tantas falas poéticas, a fotografia envolvente e a trilha sonora completam a obra, adquirem vida própria e levam os mais sensíveis como eu a flutuarem em uma outra dimensão, aonde todos os seus desejos são realizáveis e sentimentos tornam-se palpáveis (eu já sei que sou piegas). Num misto de nobreza e martírio, assistimos aos créditos do filme enxugando as lágrimas e pensando que está na hora de cuidarmos de nós mesmos.

A grande sacada deste filme, na minha opinião, é que a trama passa-se dentro da cabeça da personagem, trazendo o desenvolvimento dos fatos para o plano secundário, aonde a história se desenrola e desenvolve uma sequência lógica apenas para que faça algum sentido, mas que não é o objetivo do filme. Eu, particularmente, tenho pouco interesse no final do história. Esta idéia de acompanhar os fatos através da perspectiva da personagem, ao invés de apenas assistí-los como uma terceira pessoa, é o que nos faz colocarmo-nos em seu lugar. Ok, esse não é nem de longe o único filme com essa proposta. Mas de alguma forma, a linguagem criada pelo diretor é compreensível para um grupo muito maior de pessoas do que outros filmes com a mesma proposta, e tudo isso sem precisar ser óbvio.

E você, o que achou do filme? Também se identificou com a Amélie? Conte para nós!

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  1. #1 por Dani Marino em 23/01/2012 - 22:29

    Sou apaixonada pela Amelie. Tenho o filme, a trilha sonora… Perdi a conta de quantas vezes já assisti. Com certeza é um dos filmes mais sensíveis que conheço!
    http://stardustandotherdreams.blogspot.com/2008/10/tesouro.html

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