Nós Tomamos, Vós Lucrais, Eles Riem

Dor de cabeça? Pílula. Cólica? Pílula. Dor muscular? Pílula. Febre? Pílula. Dor de estômago? Pílula. Nariz escorrendo? Pílula. Prisão de ventre? Pílula. Fadiga? Pílula. Alergia? Pílula. Depressão? Pílula.

Esse é o approach da medicina ocidental. Em cada casa, em cada escritório, em cada bolsa de mulher e às vezes até no carro, encontramos a tal farmacinha. Ali tem de tudo: analgésicos, antifebris, descongestionantes nasais, energéticos, relaxantes musculares e muito mais. Em viagens, não pode faltar. Assim que bater o mal-estar, basta “dropar” uma bolinha e em breve ficará tudo bem. A automedicação ocorre diariamente em trabalhos, escolas, lares e até em situações sociais, fazendo com que aceitemos este comportamento como se fosse normal.

O que há de errado em se automedicar? Bom, comecemos do começo. Porque você está doente? Porque você tem dores freqüentes? Nada disso é natural. Ninguém simplesmente adoece assim, sem motivo. Se você tem qualquer sintoma de qualquer coisa, é porque está fazendo algo errado com a sua saúde, pois mesmo doenças transmissíveis como a gripe terão dificuldade em se reproduzir em um corpo saudável. A maioria das pessoas que conheço tem dores de cabeça e apresentam cansaço físico e mental quase diariamente. Algumas delas passam dias sem ir ao banheiro e vivem com as costas doloridas. Solução? Pílulas.

A medicina ocidental, apesar de possuir o conhecimento e a técnica necessários para a prevenção de tais doenças, optou por concentrar-se nos efeitos colaterais e em como apaziguá-los de maneira eficiente. Quando fui ao médico há dois meses e reclamei de dores na região da bexiga e dor ao urinar, o médico me disse o seguinte: ” A Srta. está com infecção urinária. Irei lhe prescrever um antibiótico que deverá tomar por 5 dias, e lhe peço que me visite na próxima semana para que eu possa saber se melhorou. PRÓXIMO!”

Como assim? Ele nem quer saber por que eu tenho infecção urinária? Desde quando é natural que uma garota jovem tenha infecção urinária? Eu fiz algo errado. Não coloquei casacos suficientes em alguma noite de inverno, não estou dormindo direito, comi alguma coisa errada, bebi demais? Não sei, porque o médico não está preocupado com a origem do meu problema, ou mesmo em me educar para que eu não adoeça de novo. O que ele quer é que eu continue adoecendo, para que eu continue o visitando e continue precisando dos tais remédios que ele prescreve, sustentando assim a milionária indústria farmacêutica, que mais parece ocupar-se em nos manter doentes para aumentar os seus próprios lucros. Ou talvez ele até esteja preocupado, mas me acha burra demais para entender o funcionamento do corpo humano, já que esta é a profissão mais elitizada de todos os tempos. Esta parece ser uma visão radical, mas foi a única resposta que encontrei para o enigma do processo de desinformação pelo qual somos submetidos com relação à nossa saúde.

Não quero colocar toda a responsabilidade da nossa sociedade doente nas costas da classe médica ou da indústria farmacêutica, já que é mais do que sabido que as pessoas raramente seguem as dietas e recomendações passadas pelos seus médicos. Porém, eu, que estou interessada em melhorar a minha qualidade de vida e evitar doenças, não encontro essa oportunidade na medicina ocidental. Aqui, o que impera é a política do damage control e do ciclo vicioso, onde cada grupo de pessoas depende do outro para sobreviver, sendo o tema Saúde muitas vezes deixado de lado para dar lugar ao Marketing, Consumismo e Comodidade.

Já sofri muito preconceito por não tomar medicamentos. Em meus empregos era sempre igual, todos podiam reclamar de dor de cabeça e fazer cara feia, menos eu, que quase nunca tinha nada. Se me batia uma cólica, eu tinha que ficar quieta, não podia abrir a boca. Sabe por quê? As pessoas diziam que eu não tinha o direito de reclamar, pois não havia tentado solucionar o meu problema. Diziam que, se eu gostava de sofrer, que o fizesse calada. Também já fui mal-tratada por muitos médicos que, ao ouvirem-me dizer que não estou interessada em receita para medicamentos, me respondiam “O que a Srta. está fazendo aqui, então?”. O que eu queria era saber como fortalecer o meu organismo, como evitar aquela doença no futuro, ou saber se ela não estaria em estágio avançado demais, prejudicando o meu corpo de outras maneiras. Nenhum dos médicos para os quais eu disse isso tentou me ajudar. Nunca.

Eu não sou contra medicamentos. Compreendo a importância dos avanços científicos na área, que tornam a nossa vida mais longa e segura. Um bom exemplo desta dualidade são os medicamentos antifebris. A febre é um mecanismo importantíssimo de defesa do corpo. Quando um vírus, peguemos a gripe como exemplo, lhe atinge, ele começa a se multiplicar e a enfraquecer as suas células saudáveis. Enquanto isso acontece, você não sente nada. De repente, o seu corpo percebe o perigo e começa a combater o vírus, eliminando as células contaminadas e lhe deixando enfraquecido e dolorido. Ou seja, quando você começa a sentir-se mal, significa que o seu corpo está reagindo. Quando o vírus também está bastante enfraquecido, o corpo lança a sua arma final: a febre. Ao aumentar levemente a temperatura do seu corpo, o já enfraquecido vírus provavelmente irá morrer, e você irá começar a se recuperar lentamente, até que o seu corpo substitua aquelas células por outras novas e saudáveis e você esteja curado. Mas isto é teoria. Na prática, o que as pessoas costumam fazer é tomar um antifebril, o que acaba muitas vezes fortalecendo o vírus. Se você está se perguntando por que então existem medicamentos antifebris, a resposta é muito simples: uma febre muito alta ou muito longa pode danificar certos órgãos do seu corpo, podendo inclusive ser fatal. Quando um vírus ou bactéria são fortes demais e o seu corpo sozinho não está conseguindo combatê-los, está na hora de ir ao hospital e tomar um medicamento antifebril, e tentar combater a doença de outras formas e sob supervisão médica.

Outro caso são as dores. Seja de cabeça, de estômago, de junta, muscular ou qualquer outra, as dores são sintomas de que algo está errado com o seu corpo. Ao tomar um medicamento e maquiar esta dor, você não estará eliminando a sua causa. Por exemplo: se você tem dores de cabeça diariamente porque ingere muito açúcar, você continuará o ingerindo, pois os medicamentos que toma escondem os efeitos colaterais e o impedem de tomar uma atitude mais eficiente. Com o tempo, eles não farão mais efeito e você passará a adoecer por conta deste péssimo hábito, diminuindo consideravelmente as suas qualidade e expectativa de vida. Remédios pós-ressaca também são um absurdo, já que você não mais precisará controlar o seu consumo de álcool, por saber que poderá esconder a dor com uma pílula. Se não houvesse nada para apaziguar a sua dor, você iria controlar-se mais e beberia como um adulto. A ressaca é motivo de piada na nossa sociedade, mas é uma intoxicação grave. Beber até o ponto de danificar o funcionamento de um órgão não tem graça nenhuma.

Bom, já vimos que o consumo inconsequente de medicamentos nos torna ainda mais doentes, além de preguiçosos. Querem mais motivos? Pois há muitos, tantos que não sei se poderei abordar todos neste post. Mas para dar alguns exemplos, podemos citar a grana que você gasta com eles. Além de empobrecer, você ainda enriquecesse uma indústria que usará o seu dinheiro para tentar vender-lhe mais dos seus produtos, fazendo com que gaste mais dinheiro com eles, etc. Podemos citar também a diminuição da sua resistência, já que suportar uma simples dor de cabeça parece algo de outro mundo. Fico intrigada com o fato de que as pessoas não se importam se estão saudáveis ou não. Para mim, é um absurdo tomar um medicamento em situações não-emergenciais, pois perco o controle sob o meu próprio corpo. Se estou com dor de cabeça, quero senti-la, saber em que parte da cabeça se localiza, a sua intensidade, a sua duração. Quero saber a que horas e em que situações ela costuma vir e aprender assim a evitá-la. Assim que ela passa, sei que o meu corpo está agora mais saudável, e não drogado.

Falando em drogado, chegamos a um tema interessante. Drogas. Porque é que nos vendem tantas drogas assim, em promoção de “leve 3, pague 2”, em jornalzinho de anúncio? Estas são drogas pesadas. Você pode achar engraçado que eu diga que um Tylenol é uma droga pesada, mais saiba que se você tomar 8 de uma vez, poderá morrer. Se for uma criança então, provavelmente irá morrer. Se você fumar 8 baseados, tomar 8 pílulas de Ecstasy ou 8 LSDs (desde que puros) você não irá morrer. Isso lhe diz alguma coisa?

Você está sendo levado à falência, à degradação física e mental e ao túmulo. Você está sendo bombardeado de notícias, novas descobertas e tendências, que o confundem a ponto de não saber mais o que é e o que não é saudável. Ovo faz bem ou mal? Alimentos crus são mais saudáveis que cozidos? Não preciso de proteínas? É mesmo de enlouquecer. São tantos os direcionamentos na área da saúde, que fica difícil saber se estamos fazendo as coisas direito, já que para alguém, sempre estaremos fazendo errado. A macrobiótica, por exemplo, diz que devemos comer basicamente alimentos crus. Já a medicina chinesa, diz que alimentos crus podem ser intoxicantes e nos indica a diminuir consideravelmente o seu consumo.

A minha sugestão é que use o seu bom-senso, se você tiver. Ao escolher uma filosofia de vida para guiar a sua saúde, considere os fatores ambientais. Os hábitos alimentares dos povos da Sibéria provavelmente não se adéquam às nossas necessidades num país tropical. Outro fator importante é observar a saúde daqueles que seguem a dieta. Algo que acho engraçado são as dietas americanas, que figuram no topo da lista das dietas mais populares. Como alguém pode seguir as dietas de um povo cuja população é a menos saudável do mundo? Baseada neste princípio foi que escolhi para mim a medicina chinesa. Os chineses são muito saudáveis, possuem uma das maiores expectativas de vida do mundo e devem lidar com temperaturas extremas, como nós. Assim que passei a aplicar alguns dos princípios em meu dia-a-dia, senti-me imediatamente melhor, e a tendência é melhorar ainda mais com o tempo. Buscava algo que eu pudesse seguir suavemente, sem limites ou proibições, apenas educando o meu paladar e o meu corpo a fazerem escolhas melhores. Porém, somos todos diferentes e talvez você não goste da medicina chinesa, mas prefira alguma outra filosofia. Tudo bem. Não importa qual é a melhor, ou mesmo SE há uma melhor, o que importa é que cuide da sua saúde.

 Se você sofre de mal-estar, dores freqüentes, fadiga e stress, comece do começo. Diminua a sua ingestão de açúcar e farinha de trigo refinados, tome cuidado com o excesso de sal, não coma em restaurantes diariamente, beba água, tome chás de ervas, aumente a variedade de vegetais na sua dieta, cozinhe mais, procure ingerir todos os tipos de sabores (doces, salgados, azedos, amargos), compre alimentos orgânicos (se você acha que eles são muito caros, coma menos. Você provavelmente come mais do que precisa, anyway…ou use o dinheiro que você irá economizar com os remédios, dos quais não mais precisará). Isso só tem cara de dieta, mas não é. Essa sua compulsão por doces, pães e alimentos pesados não acontecem naturalmente, são apenas os parasitas e fungos que vivem em seu corpo lhe pedindo comida. Pois é. Você, como grande parcela da população dos países industrializados, está provavelmente infestado de fungos e parasitas, que proliferam com a ingestão excessiva dos alimentos que o pedi para evitar. Esse desejo de comer besteira são eles, não você. Pessoas saudáveis não sentem isso, pelo menos não com tanta freqüência e de maneira incontrolável. Além do mais, eles se alimentam dos poucos nutrientes que você ingere, o deixando enfraquecido, suscetível a doenças e feio, já que eles também são culpados pelas suas olheiras, pele feia, queda de cabelos e aquela bolha que você chama de barriga.

Vai ao médico dizer que está com parasitas? Ele vai te receitar uma pílula. Você vai tomar e, em poucos dias, estará livre deles. Algumas semanas depois, eles já terão se proliferado novamente, já que você continua criando o ambiente perfeito para eles viverem e ainda os alimenta como uma mãe-coruja. Não adianta tentar fugir: está na hora de mudar. Todos os medicamentos que você precisa estão no supermercado e a sua nova bula é o seu livro de receitas. A saúde e o equilíbrio ocorrem de dentro para fora, e não de fora para dentro, como querem que você acredite. Encontre dentro de você o estopim que lhe dará forças para melhorar a sua vida e livre-se de uma vez por todas da sua farmacinha. Depois volte aqui e conte-nos a sua história de sucesso 🙂

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