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Love is Anarchy

In Brazil, as well as all other American and Latin influenced countries, matters of love and relationship are treated in a very conservative way, and the list of taboos is as huge as it can be. Those who were around me during my 6-years relationship were very critical and had a hard time understanding “how we could live like that”. My friends used to find it incredible that I didn’t know where my boyfriend was or what he was doing all the time, and just couldn’t accept the fact that he was free to look at other girls when I was around.

I have a different understanding of love. I see no sense in controlling a 30 something year-old man so that no other woman ever crosses his mind. I mean, is that even possible? Even if I do control his every step, if I make a scandal every time he checks out a girl, if I make it very clear I’m the only woman he should ever want…will it work? Well, I don’t think so. Attraction doesn’t seem to be controllable, at least not from a third person. Therefore, I wouldn’t waste my time or energy trying to fight a natural and spontaneous feeling, also because it’s not necessarily followed by an action. Besides, being free has always made him feel very comfortable in the relationship, so the desire of having someone else also tended to be smaller, and he also didn’t want to lose such a cool girlfriend 😉

Western societies are still, very unfortunately, strongly under Christian influence, and in matters of love, things couldn’t be different. We don’t have the right to be free without being judged, and we learn from our parents to judge others too. There is a strict script to be followed and one shouldn’t walk out of the line, under the threat of losing the loved one. Relationships became a symbol of oppression and things like having your own space or keeping secrets are distant dreams. Some find a way of meeting friends once a week and should be grateful for that already.

Marriages are feared and avoided, and love is losing its place to a controlled, boring system, that apparently, no one can run away from. Passion seems to be a privilege for beginnings of relationships and only remains on the minds as a nostalgic memory, giving place to responsibilities and routine. Living in Germany, I’ve came across very modern concepts of liberty and equality, mentality shared by practically all northern European countries. On the other hand, conservative Bavarians still strongly apply the sharing of male and female roles, such as we do in Brazil. This separation of roles is limiting our creativity, eliminating the challenge of doing new things and transforming us in cold robots. We stop being lovers to become providers, planners, organizers.

I’m a Love-Anarchist. When I love someone, I want this person to cross the line, break the rules, explore the unknown. As Anarchy is the lack of control and not of respect or morality, it is still important that a couple has a good communication and can understand each other’s intentions, so that no one gets hurt in the process of being happy. You need a good, clear communication in order to set your own limits, since Free Love has no limits. Here you can decide if you will be a faithful monogamous couple, a love triangle, a group or wherever your imagination and your libido take you. To be a love-anarchist you should throw your prejudice away and open your mind to the unknown.

Love with your body, mind and soul. Close your eyes and let the music of your heart-beats guide you to the best of the experiences. Allow the smell of excitement to inebriate your senses and clear your mind from the rest of the world. Enjoy the wonderful art of cuddling and listen to the deep breath, while your toes curl up and warm each other’s feet. Cook and enjoy Art together, dance, laugh, swim and sleep, and as soon as your partner wants to be alone, don’t be sad. Kiss goodbye and come back later. Love should be good and make you happy, and when it’s not, there’s something wrong. It’s supposed to be spontaneous, and not an every-weekend-fixed-appointment. It’s supposed to bring you flowers, not problems. Because, you know, when you’re in love, even problems smell like flowers.

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Síndrome de Amélie Poulain

Neste filme de temática criativa e personagem principal nada óbvio, a atriz Audrey Tatou faz uma atuação ímpar e repleta de subjetividade. A personagem é monossilábica e introvertida, mas ainda assim, consegue levar o espectador a uma viagem pelo seu mundo, através  das suas expressões faciais e olhares penetrantes. Sou totalmente vidrada nesse filme, que apesar da fama de chick-flick, agrada a públicos variados e também é alvo constante de críticas, como toda boa obra. Mas não estou aqui para fazer uma análise crítica do roteiro ou coisa parecida, e sim, para analisar o fenômeno da identificação com a protagonista, ou melhor dizendo: A Síndrome de Amélie Poulain.

Que atire a primeira pedra aquele que nunca se sentiu como a nostálgica Amélie. Seja pelo seu isolamento na infância, pela falta de amigos, a ausência da mãe, a dificuldade de se envolver com pessoas, o estilo de vida simplório, a dificuldade para se comunicar, os hábitos estranhos, a observação das pequenas coisas, o fato de ser incompreendida, o senso de justiça, a mente engenhosa, o estilo “bonequinha”, a frieza do pai, a busca pelo sentido da vida…arrisco dizer que cerca de 98% da população mundial encontrará ao menos uma caracterísctica com a qual irá se identificar nesta complexa personagem.

Dividimos com ela a sua solidão, quando ela prepara o seu jantar ou enquanto reflete sobre a vida em sua cama milimetricamente arrumada. Sentimos pena do pobre funcionário da barraca de frutas quando ele é humilhado pelo seu chefe. Sentimos um prazer quase físico quando a Amélie entra na casa do tal chefe e faz com que ele pense que está louco. Sentimo-nos plenos quando ela faz com que a funcionária do Deux Moulain e o seu frequentador problemático se apaixonem e parem de infernizar todos a sua volta. E sentimos angústia, quando nos damos conta de que ela resolve os problemas de todos, menos os seus próprios.

A nossa mania de nos fazermos de coitados e acharmos que somos bonzinhos faz com que transformemos a pequenina francesinha em nosso alter-ego preferido (digo preferido pois creio que tenhamos diversos alter-egos). As tantas falas poéticas, a fotografia envolvente e a trilha sonora completam a obra, adquirem vida própria e levam os mais sensíveis como eu a flutuarem em uma outra dimensão, aonde todos os seus desejos são realizáveis e sentimentos tornam-se palpáveis (eu já sei que sou piegas). Num misto de nobreza e martírio, assistimos aos créditos do filme enxugando as lágrimas e pensando que está na hora de cuidarmos de nós mesmos.

A grande sacada deste filme, na minha opinião, é que a trama passa-se dentro da cabeça da personagem, trazendo o desenvolvimento dos fatos para o plano secundário, aonde a história se desenrola e desenvolve uma sequência lógica apenas para que faça algum sentido, mas que não é o objetivo do filme. Eu, particularmente, tenho pouco interesse no final do história. Esta idéia de acompanhar os fatos através da perspectiva da personagem, ao invés de apenas assistí-los como uma terceira pessoa, é o que nos faz colocarmo-nos em seu lugar. Ok, esse não é nem de longe o único filme com essa proposta. Mas de alguma forma, a linguagem criada pelo diretor é compreensível para um grupo muito maior de pessoas do que outros filmes com a mesma proposta, e tudo isso sem precisar ser óbvio.

E você, o que achou do filme? Também se identificou com a Amélie? Conte para nós!

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A música do verão

“Nossa, nossa, assim você me mata, ai seu eu te pego, delícia”. Assim começa a nova música do verão. Tataraneta de uma geração de bordões de baixo calão, é sucesso absoluto e está na boca do povão. Seja na praia, na loja, na padoca, ou na porta da sua casa, quando um infeliz estaciona, abre o porta-malas exibindo seu som ultra-mega-turbo e liga a bendita em alto e bom som, e coloca no repeat, você não conseguirá fugir. Aliás, sempre quis saber por que as pessoas que fazem isso sempre colocam uma música escrota. Meu apartamento em Santos fica em frente à praia, e desde a minha infância, nunca ninguém me acordou de madrugada com “Riders on the storm”.

“Pega aqui”, “Senta ali”, “Vou enfiar acolá”. Enquanto uns julgam este fenômeno como uma representação da liberdade de expressão ou da emancipação da mulher, eu julgo como um sinal claro de perturbação psicológica. Sou feliz por poder expressar-me livremente, tomar as minhas próprias decisões e não ser julgada pelo meu gênero (estamos quase lá, mulherada!), mas daí a chacoalhar os órgãos genitais em público…desculpem-me, mas do que se trata? Ok, cada um faz o que quer, mas porque alguém quer fazer isso? Que tipo de repressão as pessoas sofrem em seus lares, que as faz quererem exibir seus pensamentos (e movimentos) mais íntimos em público? Será a busca por aprovação? Ou talvez por reprovação? Ou será algo completamente diferente, do qual eu nem tenho idéia?

Quero entender as raízes dessa pornografia explícita, que o Brasil exibe como um troféu. Enquanto isso, a “gringaiada” volta para casa, embasbacada pelos encantos da nossa pátria amada e idolatrada, cantando “dói, um tapinha não dói, lálálá” e pensando como as mulheres no seu país não sabem rebolar. Brasil, um país de cultura riquíssima e de fazer inveja, com uma lista quase sem fim de poetas, compositores, escritores, diretores e afins, transmitindo mensagens de amor e justiça, transformando a nossa educação, influenciando a nossa cultura e iniciando revoluções. Mas nada disso é páreo para a música do verão.

Bons eram os tempos em que esfregar era o que a minha mãe fazia com a minha roupa suja, em que o compasso era um instrumento que eu usava na aula de Geometria. Hoje em dia “esfregar o compasso” faz filho. Filhos de orgias, de pais sem rosto, feitos sem amor e assim criados, crescem para tornarem-se pessoas vazias, sem compaixão, que ouvirão a música do verão e farão mais filhos sem amor, que crescerão para tornarem-se pessoas vazias, sem compaixão…etc. Ainda bem que os meus amigos não gostam da música do verão. Bom, pelo menos, é o que dizem. Mas quando a cerveja sobe, o rebolado desce. Aí sai todo mundo dançando a música do verão, e de garota sensata, eu sou imediatamente transformada em garota chata, que não sabe se divertir. “Não pode vencê-los, junte-se a eles!”, é o que eles dizem. Pois eu digo: a única maneira de vencê-los é NÃO se juntando a eles.

Hipócritas, é o que nós somos. Adoramos as nossas lindas mulheres, com as suas roupas e movimentos provocativos e a palavra SEXO escrita na testa em neon, nossos homens másculos, que tratam mulheres como um chimpanzé faz com a fêmea no cio. Mas quando uma mãe quer amamentar o seu neném em público, nós a proibimos (leia mais: http://www.istoe.com.br/reportagens/142650_A+POLEMICA+DA+AMAMENTACAO). Quando a gringa chega com o seu andar nada elegante, seu corpo franzino e seu biquíni que poderia ser usado como tenda da barraca do pagode e tira o top…algema nela! Aqui não é lugar de sem-vergonhice!

Isso diz muito sobre o nosso povo. Um povo que não lê, que não entende poesia, que pensa que arte é coisa de gente intelectual. A arte existe para interpretar sentimentos, emoções, tudo aquilo que não conseguimos colocar em palavras. Aí vem a música do verão, com suas estrofes curtas e significados ao pé-da-letra, que não exigem nenhum esforço por parte do seu ouvinte para interpretá-las. Que não lhe oferece ferramentas para ajudá-lo a compreender o mundo, mas sim diz exatamente o que e como deve fazer as coisas. É a antítese da Arte.

Meu primeiro impulso é pensar em chamar a polícia, mas eles não vão entender. Vão pedir para as pessoas abaixarem a música, mas o que quero mesmo é que sejam algemadas. “Você está preso pelo assassinato do Bom-senso. Você tem o direito de ficar calado, e caso queira falar, tudo o que disser poderá ser usado contra você”.

Enquanto isso, sigo sonhando com um verão em que eu possa ouvir o barulho das ondas…

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